Programação nas escolas: por que ensinar?
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Programação nas escolas: por que ensinar?

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Em um mundo altamente tecnológico, muitas escolas já incorporaram a disciplina “Programação” em suas grades, ou no contraturno das aulas, para ensinar a seus alunos essa habilidade, que é cada vez mais importante no mundo competitivo do século XXI. Mas será que a palavra “Programação” não assusta ainda muita gente, principalmente professores que não são nativos digitais?

“É preciso desmistificar, pensar primeiramente que Programação não é código; Programação é pensamento lógico. E a lógica é importante para tudo na nossa vida. Por isso é importante que professores de diversas áreas ensinem Programação, não só os professores de informática, mas também o professor de artes, de matemática… Programar é algo multidisciplinar, é algo inerente a qualquer disciplina.”

Quem afirma isso é Nathalia Pontes, coordenadora de produto da empresa Playkids, uma plataforma educacional por assinatura que disponibiliza mais de 5.000 atividades, filmes, séries, desenhos e jogos para seus assinantes, todos escolhidos por especialistas do ramo.

O principal público alvo da Playkids é formado por crianças de até 6 anos de idade e Nathalia afirma que programação pode ser ensinada a crianças a partir de 3 anos.

“Com crianças menores, a partir de 3 anos, o que se ensina é um princípio de programação, como antecipação de movimentos, categorização, associação… Conforme a criança vai crescendo, você consegue aprofundar o ensinamento até chegar em linguagens de programação em si.”

Um dos exemplos que ela dá é o jogo do Pinguim, no qual as crianças precisam fazer com que o animal chegue até uma fogueira para acender o fogo. “Pensar no caminho que ele tem que fazer gera noção espacial, noção de processos. A criança usa o princípio de programação, atrelado ao raciocínio lógico.”

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Nathalia é mestranda em Psicologia da Educação pela PUC São Paulo, especialista em Gestão de Negócios e Inteligência de Mercado e Psicopedagoga voltada para a Disciplina Positiva e Neurociência. Ela chama a atenção para a importância de gestores fazerem o convite para que seu corpo docente inclua aulas de programação em seus projetos, mostrando a importância disso também para os pais.

“Muitos pais associaram ao livro a melhor forma de educar, que é como eles foram educados. Mas não é bem assim, a tecnologia responde ao uso que a gente faz dela, é preciso usá-la como alicerce, para ensinar outros conceitos para as crianças. Se o nosso mundo é digital, não tem como criar uma criança fora desse mundo. O melhor é ensiná-la a usar a tecnologia da forma mais saudável possível, com consciência digital.”

Qual a vantagem de se ter programação nas escolas?

Nathalia lembra que a escola muda de acordo com os papéis sociais e, conforme o mercado de trabalho muda, a escola muda para formar cidadãos, fazendo com o que ciclo continue de forma constante.

“A escola se adapta às novas sociedades, como na época da primeira revolução industrial, da segunda revolução industrial e da terceira. As escolas precisam acompanhar a evolução e está comprovado que as novas metodologias atreladas à tecnologia aumentam a atenção e a motivação, além de estimularem a interação dos alunos.”

Segundo a especialista, nosso cérebro não consegue deter tudo a que somos expostos e, como mecanismo de defesa, costumamos nos interessar pelo o que é mais prazeroso. “É importante usar isso a favor da gente e usar jogos para ensinar, unir brincadeira e ensino.”

Nathalia cita o psiquiatra americano William Glasser e sua pirâmide de conhecimento. Glasser diz que, quando ouvimos, só retemos 10% do que é dito. O restante tem que ser praticado para ser absorvido.

“Existem dois tipos de aprendizado: o aprendizado passivo e o ativo. Um vem antes do outro e a tecnologia serve como um excelente alicerce para o aprendizado em geral. Por exemplo, crianças que ouvem vídeos em inglês e depois são convidadas a contar o que elas entenderam, absorvem muito mais o que escutaram. 

Ela ressalta que a Academia Americana de Pediatria recomenda que crianças tenham acesso somente a vídeos com fim educacional e não como entretenimento: “por isso é importante usar a tecnologia como meio e não como fim. Tecnologia dando suporte a educação.”

Nathalia explica ainda que as matérias do currículo escolar geralmente são muito específicas e a Programação é exatamente o oposto, é algo multidisciplinar. “A matéria não termina nela mesma, pois é aplicada em diversos contextos. Os estudantes conseguem concatenar o ensino em algo prático e ainda trabalhar suas habilidades socioemocionais.”

Mas como ensinar programação nas escolas em um país com acesso a internet tão desigual? Será que alunos de classes menos favorecidas não ficam de fora dessa?

“Tem uma parte da Programação em que sim, é necessário um amplo acesso à tecnologia, mas, quando falamos de programação, falamos de uma técnica de aprendizado que envolve pensamento crítico, tomada de decisão, raciocínio lógico, antecipação de problemas, noções de programação, que não necessariamente se precisa de um computador. Pode ser um game no papel. Entender a lógica da programação vem antes de se ter o equipamento em si. É uma metodologia que vai além do computador. É fundamental ter essas habilidades no mundo de hoje.”

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