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2020 foi o ano em que a tecnologia se tornou ferramenta fundamental nas escolas. A nova realidade escolar é de ensino a distância via smartphones e computadores e o próximo passo promete ser o ensino híbrido, alternando momentos presenciais em sala de aula com momentos on-line em casa.

Mas a tecnologia é muito mais do que um instrumento para permitir que alunos possam continuar tendo aulas de português, matemática e outras disciplinas tradicionais longe das instituições de ensino.

A tecnologia é hoje a grande aliada para ajudar na formação de crianças e jovens, estimulando sua criatividade, espírito inovador e desenvolvendo as habilidades necessárias para que eles se tornem adultos preparados para sua vida pessoal, social e para o mercado de trabalho.

 

Capacitar alunos para a tecnologia

“A escola tem a missão sagrada de trabalhar na formação do cidadão e na fundamentação de conceitos para que crianças e jovens possam se tornar bons profissionais um dia. Antigamente formavam mão de obra, agora precisam capacitar as pessoas a trabalharem em um mercado dominado pela tecnologia em todas as profissões.” A frase é de Cristian Torres, diretor da edtech Tech4me, uma startup que nasceu para ser um centro de educação em tecnologia e educação para todas as idades.

Segundo Cristian, que atua há mais de 20 anos nas áreas de TI e RH, essa capacitação não é apenas para um futuro profissional dos estudantes, “mas para todos os cidadãos que vão ter que conviver, competir e sobreviver nessa nova sociedade digital.”

Uma das áreas de ação da Tech4me é orientar profissionais de educação, dando apoio às escolas para que elas desenvolvam da melhor maneira possível suas próprias aulas de tecnologia e inovação.

 

Confira como a capacitação de professores em tecnologia pode ajudar durante a crise

 

“Os educadores sabem que a maior parte das crianças que estão hoje na escola vão trabalhar com profissões que ainda não existem ou que serão totalmente diferentes das profissões de hoje, o que significa um desafio gigantesco para as escolas e organizações”, diz Cristian.

Para o CEO da Tech4me, é fundamental estimular mais o pensamento computacional dos alunos e seu raciocínio lógico, implementando aulas de programação e robótica nas escolas: “É preciso transformar tecnologia e inovação em disciplina escolar, assim como matemática, física, geografia. Numa sociedade digital, a tecnologia não é mais ou menos importante que essas disciplinas tradicionais.” 

Cristian faz questão de deixar claro que a proposta não é fazer com que os alunos passem mais tempo diante de celulares e computadores – o que é uma grande preocupação de pais. Mas que eles aproveitem melhor esse tempo, unindo entretenimento e produtividade para ajudar em seu desenvolvimento.

Ele chama atenção para a necessidade de as escolas focarem mais no desenvolvimento dos pilares e competências para que os alunos trabalhem com tecnologia.

“A tecnologia é tão importante hoje por ser um grande facilitador no processo de inovação. Todos podem inovar, desde que estejam preparados para isso. E a demanda por profissionais de tecnologia explodiu. Hoje, principalmente com a pandemia, todas as empresas precisam de algum tipo de app, precisam estar na internet, precisam estar conectadas com seus clientes de forma virtual. É uma área com grandes oportunidades e existe falta de profissionais no mercado.”

 

Como usar a tecnologia em sua escola?

Cristian Torres explica que um dos melhores recursos para ensinar as crianças, nativas digitais, é a gamificação.

“Nós ensinamos as crianças a programar fazendo o que elas adoram: jogando e programando seus próprios jogos. A gamificação é excelente para ser trabalhada com crianças a partir de 6 anos, pois envolve objetivo, missão, meta, estratégia, resiliência… Por meio dos games, elas desenvolvem varias habilidades, usando conceitos interdisciplinares que vão ser muito úteis no futuro.” 

Outra ferramenta indicada por Cristian é a robótica: “você montar um dispositivo com as próprias mãos é algo fascinante.” 

Para alunos com mais de 8 anos, ele recomenda ainda o desenvolvimento de aplicativos.

“O domínio da tecnologia vai ser um diferencial na carreira desses alunos. Estamos vivendo um momento muito complexo, mas também de grande oportunidade. Investir em educação, tecnologia e inovação gera um valor agregado muito grande”, completa.

As emoções no processo de aprendizagem

O engenheiro elétrico Diego Thuler diz que a tecnologia é seu embrião e que a educação é sua paixão. Diego é o fundador da Little Maker, uma startup criada para fazer com que a cultura maker do “Faça Você Mesmo” contribua para a modernização das escolas. Uma de suas metas é capacitar educadores com práticas pedagógicas disruptivas, instalando oficinas maker dentro das instituições de ensino.

“Nosso grande objetivo é ajudar as escolas a darem uma educação integral a seus alunos, se apoderando de práticas inovadoras e transdisciplinares em seu projeto pedagógico.” 

Diego explica que além de dar formação a professores, a empresa instrumentaliza as instituições com tecnologias e materiais de apoio, a partir do entendimento da realidade de cada escola, sempre desenvolvendo projetos autorais.

Para Diego Thuler, é fundamental que o aprendizado esteja conectado ao lado emocional do estudante: “conectando o desenvolvimento da competência com envolvimento emocional você tem outro nível de aprendizagem. As crianças se conectam emocionalmente quando estão envolvidas em expressar suas ideias, dar voz a seus pensamentos. Essa conexão é um insumo muito importante para a gente usar na escola, transformar isso num processo de aprendizagem é muito potente.”

 

Foco no aluno como protagonista (e apaixonado) de seu aprendizado

“Aprendizagem não é um processo que acontece de fora para dentro, mas de dentro para fora. Por isso é preciso engajamento. É muito comum cair no lugar de “criança gosta do divertido”. Para mim isso não é verdade. Diversão é interessante, mas não dá para transformar a escola em um playground, não dá para todo processo de aprendizagem ser divertido. No entanto, ele tem que ser prazeroso. O prazeroso envolve comprometimento. Aprender também é passar por momentos difíceis, é se sentir incapaz, se expor, se esforçar.”

 

Metodologias ativas e alunos protagonistas: o novo normal na educação

 

O engenheiro explica que a tecnologia tem que entrar dentro de um processo de expressão criativa completo, não pode ser apenas mais uma disciplina. “A gente precisa pensar em novos processos pedagógicos, dando espaço para que os estudantes façam suas conexões pessoais em suas atividades. Precisamos construir espaços de criação e interação para isso.” 

A Little Maker parte de projetos transdisciplinares sempre com base nas 10 competências estabelecidas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para nortear o trabalho de escolas no desenvolvimento de seus alunos, sempre pensando nos aspectos intelectual, emocional, social e cultural. São elas:  

  1. Conhecimento
  2. Pensamento científico
  3. Repertório cultural
  4. Comunicação
  5. Cultura digital
  6. Projeto de vida
  7. Argumentação
  8. Autoconhecimento
  9. Empatia e cooperação
  10. Cidadania

“A gente precisa pensar na preparação das crianças para um mundo em que os empregos serão tecnológicos, onde elas precisam desenvolver habilidades, técnicas e  competências para o século XXI. O mundo que a gente vive hoje é de constante mudança, um mundo volátil conhecido mundo VUCA (em inglês) e VICA (em português – iniciais de volatilidade, incerteza, complexidade, ambiguidade). Um mundo incerto, complexo e ambíguo, onde a tecnologia impõe mudanças muito rápidas.” 

 

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