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Turmas reduzidas, carteiras mais afastadas,  janelas abertas, ambientes bem higienizados, todos de máscaras (alunos, professores e funcionários) e nada de aglomerações, nem mesmo no intervalo. Esse é o cenário esperado nas escolas brasileiras com o pós-pandemia.

Passado o choque da suspensão repentina das aulas, gestores escolares agora se preparam para gradual volta às aulas. Apesar de nenhuma prefeitura confirmar uma data específica para o retorno das atividades, o governo estadual de São Paulo já anunciou que, inicialmente, apenas 20% dos alunos estarão presencialmente nas escolas. 

Outros estados já estão desenvolvendo seus próprios “Planos de Volta às Aulas”. De acordo com Ivan da Cunha, diretor de consultoria e estratégias corporativas da Apoio Comunicação, independente do estado, os protocolos de saúde serão baseados em cinco eixos: distanciamento social, higienização, comunicação, monitoramento e controle. 

Mas enquanto não há nenhum comunicado e/ou documento oficial por parte das instâncias governamentais, Ivan orienta que os gestores façam apenas um planejamento básico:  

“Precisa de máscaras para os funcionários? Precisa. Precisa de certos controles? Precisa. Não pode ter aglomeração? Óbvio. Então já começa a pensar, como é que eu vou organizar entrada e saída na escola, horários de turma, como é que eu vou organizar o horário do intervalo, como é que se vai acontecer”.

De fato, há muita coisa para planejar. O cenário de crise é instável e, infelizmente, os próximos passos não estão totalmente elucidados.

É preciso cautela, mas também um olhar atento para os novos desafios que incluem a adoção de um modelo de ensino híbrido, a adaptação aos protocolos de saúde e a criação de um sistema de gerenciamento de crise.

 

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Planejamento 

Já se sabe que a pandemia impactou vários setores da sociedade. E, desta forma, as famílias também foram impactadas com a crise. Com isso, o índice de inadimplência nas escolas cresceu bastante. Mais uma vez, tem sido necessário traquejo por parte dos gestores para negociar com pais. 

Para Ivan, essa decisão, em um cenário ideal, deveria ser baseada em plano de contingência, com receitas, despesas e custos reduzidos listados.

Por isso, ele afirma que as escolas que tiveram a oportunidade de montar um plano de contingência e outros modelos de planejamento, certamente, foram menos impactadas com a crise.

Mas aqueles gestores que ainda percebem que sua escola está sendo muito afetada e/ou não sabem como agir na volta às aulas, o profissional deixa bem claro que agora o momento é de agir:  

“O planejamento se faz em épocas de normalidade, agora não é hora de planejamento, agora é hora de agir, eu tinha que ter feito um planejamento antes, como eu não tenho, eu não fiz, ou eu fiz, agora não é hora de planejamento, é hora de ação, mas ação com cuidado”.

Ainda de acordo com Ivan, os descontos, por exemplo, devem ser concedidos de forma estratégica. Imagine um cenário hipotético, com uma família que mantém um contrato por três anos, duas crianças matriculadas e sempre foi boa pagadora.

Então, porque não conceder um desconto? Esse é um típico caso que gera um pós-crise de satisfação, extremamente importante para boa imagem e reputação da instituição.

Outro cuidado que se deve ter é com a comunicação com os pais. Apesar da crise ser bem difícil, gestores não deve evitar mensagens derrotistas e exageradas para rebater os pedidos de desconto, como: “Olha, estamos com muita dificuldade” e “A qualquer momento vamos falir”.

Isso pode gerar uma interpretação por parte dos pais de que a escola está vulnerável à falência e, consequentemente, causar uma crise de imagem e até perda de contratos.

Além da questão financeira, os pais estão muito mais preocupados com a segurança e saúde dos seus filhos. Então, nesse momento, a escola precisa transmitir confiança e credibilidade.

O discurso mais adequado deve ser: “Está difícil, mas estamos lidando com a situação para que seu filho tenha um retorno seguro”.

 

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Gestão de crise

Retomando à questão dos protocolos de saúde. Durante a volta às aulas haverá um forte movimento de fiscalização e controle, exercido pelos pais e governos.

Portanto, além da sua escola atender às normas legais, é necessário criar um plano de gestão de crise para lidar com os possíveis eventos desfavoráveis do pós-pandemia.

O diretor de estratégias corporativas da Apoio Comunicação explica que esse planejamento deve conter as possíveis situações críticas, a probabilidade de ocorrência para cada uma delas, os impactos que podem causar (imagem e financeiros) e, por fim, as atitudes a serem tomadas para minimizar os efeitos e as pessoas envolvidas. Veja um exemplo dado por ele:

“Crise possível: a gente vacilar no protocolo, que mancha nossa imagem. Probabilidade: altíssima, porque envolvem seres humanos, são muitos cuidados, que não é fácil controlar a sua equipe. Impacto: altíssimo, porque as famílias estão tensas e esse retorno será baseado em muita atenção e muito cuidado. Então, você tem que já estar de olho nesse pós-crise, preparar um comitê interno que vai gerenciar esse processo, cuidar desses protocolos”.

Para assegurar que o protocolo seja seguido por toda comunidade escolar, Ivan recomenda que sejam criados documentos com valor legal. A professora, por exemplo, deve assinar um documento que ateste seu conhecimento e treinamento sobre o protocolo.

O mesmo vale para os pais, mas com premissas diferentes; entre as cláusulas pode constar o uso obrigatório de máscaras pelas crianças e afastamento das atividades presenciais em caso de sintomas sugestivos de infecção.

 

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Sempre é bom ressaltar que, na ausência de protocolos oficiais, os gestores devem continuar seguindo e acompanhando as orientações dos órgãos internacionais e nacionais de saúde, como a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde (MS). 

Nesse sentido, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) desenvolveu um documento com ações de prevenção em escolas. Apesar do documento não conter orientações sobre o retorno das aulas – pois foi publicado em março -, algumas informações destinada aos gestores e professores são perduráveis, por exemplo:

  • Escolas devem promover o distanciamento social;
  • Ao menos uma vez por dia, limpe e desinfete as instalações da escola;
  • Estudantes e funcionários doentes ou com sintomas não devem ir à escola;
  • Cancelar assembleias, jogos esportivos e outros eventos que possam criar aglomerações;
  • Informe-se sobre a pandemia por meio de fontes confiáveis;
  • Atualize ou elabore planos de contingência e emergência para a escola;
  • Busque integrar a prevenção e o controle da doença a atividades diárias e a disciplinas;
  •  Trabalhe com as equipes da Saúde e da Assistência Social para identificar e apoiar estudantes e funcionários que aparentam aflição.

 

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